II Grande Bazar e Festa de Encerramento de 2011 na Kahina Cia de dança

Oportunidade única para ver, ainda em 2011, a minha professora Kahina dançando e encantando a todos! É no próximo domingo!

Esmani by Carole Samaha

Eu adoro esta música da Carole Samaha. Gosto tanto que dancei esta música na edição 10a. Edição das 1001 noites da Karnak Al Falak com a minha super querida amiga Paulinha. Nós pedimos tanto para a Tahira, professora e coordenadora da escola Karnak Al Falak, que ela não resistiu e incluiu a música no setlist do show. Eu me diverti horrores dançando esta música, mas não sabia a tradução completa da letra. Na época, eu só sabia o significado do título “Me ouça”. Estes dias, encontrei a tradução neste site (obrigada por compartilharem). Eu gostei da letra. Daí parei para pensar na minha teoria. A música é algo mágico, comunica-se com você mesmo sem você entender muito bem o significado da letra. Você gosta, simpatiza, o refrão gruda na sua cabeça.

Me ouça

O que eu quero dizer para o mundo todo
Eu vou fazer todos saberem as minhas novidades
Eu direi a eles, meu amor
Que sou a única que seu coração ama
Nossa história é linda
E eu não quero a esconder

Ah isso, minha vida, nosso destino
Ah, e nada pode nos separar

Esta noite a jornada começa
E o mais belo mundo espera por nós
Nossa casa, nossos filhos pequenos
E meu amor por você como brasa ardente

Eu te quero, meu querido
Sua presença é necessária por toda minha vida
Eu te amo, meu querido
Eu te amo mais do que todo o mundo
Faça-me esquecer todo o passado
Faça-me esquecer...

As duas queridas Nur e Kahina dançando esta música

Dançando com o tempo – Brasil Fashion Dance

Neste fim de semana, ocorreu o Festival Nacional Shimmie e Brasil Fashion dance. Apesar de não participar dos workshops, fui assistir ao show de gala. Muitos nomes importantes da dança árabe do Brasil estariam dançando no show como Tarik, Kahina, Nesrine, Juli, Aziza e Nar. Com estes nomes, não dava para perder este super show.

Os problemas já começaram na retirada dos ingressos adquiridos através do portal online da revista shimmie. Ninguém sabia dar uma informação concreta de onde e com quem eu poderia retirar os ingressos. Finalmente, consegui pegar o meu ingresso e fiquei mais de 30 minutos em pé, num corredor apertado, com várias pessoas, esperando o pessoal abrir o local para assistirmos ao show. O show, que tinha início previsto para às 19hs(segundo o próprio site do evento), iniciou-se com 1 hora de atraso.

A idéia do espetáculo foi contar a história da dança do ventre no Brasil ao passar dos anos. Falaram das primeiras aulas de dança, do início das festas árabes, da novela “O Clone”, da fusão da dança do ventre com outros ritmos, da volta do estilo folclórico para os palcos. Gostei da idéia. Foi legal conhecer todos estes momentos que a dança do ventre teve no Brasil. As apresentações de cada tema foram bem escolhidas e representavam bem cada momento.

Bom, mas infelizmente nem só de flores foi feito o show de gala. A minha primeira decepção foi que a Lulu Sabongi não dançou. Será que eu não sei ler? Ela estava no flyer do evento como parte do elenco. Será que eu conclui errado que ela iria se apresentar? A segunda decepção foi a disposição de lugares do show. Eu estava na terceira fileira e não conseguia ver as pessoas no palco. Assistir a um show de dança do ventre vendo apenas a metade das pessoas no palco é complicado. O enfoque da dança do ventre é justamente o ventre e os quadris. Eu só consegui ver braços e cabeças. Isso nem mencionar as apresentações que foram feitas fora do palco. Estas, eu realmente não consegui ver nada! Será que o pessoal da Shimmie devolve metade do valor do ingresso?

Para completar a minha sessão de interpretações errôneas deste show, teve a apresentação da Kahina. Ainda não consigo acreditar que fiquei das 19 às 22 horas esperando pela apresentação solo dela e ela dançou um solo de derback dividindo o palco com outras bailarinas. Nada contra. A apresentação foi muito boa. A roupa da Aziza estava lindíssima e gostei muito da interpretação da Esmeralda. Mas, eu tava esperando mais, sabe? Eu realmente estava esperando um solo da Kahina. Bom, mas fazer o que?

Quero elogiar a apresentação do Bruno Molina com a Nar, Dana el Fareda e Ju Sobral. Foi uma das apresentações que empolgou. Me fez ter vontade de sair dançando. Muito legal! E a roupa da Nar? Como sempre lindíssima. Quero também parabenizar a  Cia Ana Claudia Borges. Adorei o figurino do grupo e a coreografia. Ficou muito legal! E por fim, a apresentação de Hagalla do grupo do Tarik. Apesar de já ter visto o mesmo número outras duas vezes, folclórico sempre empolga. Quero também elogiar os figurinos da Simone. Desfile foi lindo! Roupas maravilhosas! Dá vontade de ter todas!

Espero que a próxima edição do festival seja um pouco melhor organizada e em um lugar que nos possibilite a apreciar o show de verdade. Definitivamente, o local escolhido é para convenções, palestras e não shows.

Allah Aalam by Fadl Shaker

Se tem uma coisa que eu realmente gosto é me apaixonar por novas músicas, álbuns e cantores(as). Ao participar do workshop da Elis Pinheiro(aqui), ela me apresentou este cantor libanês, Fadl Shaker. Só de ouvir uma canção dele, eu já me apaixonei. Tanto que a Elis perguntou “Alguma dúvida?” e eu respondi “Quem está cantando?”.

Olhando a página do Fadl na wikipedia, ele tem vários álbuns e mais de uma década de sucessos. O álbum, o qual não consigo parar de ouvir, é o Allah Aalam e foi lançado em 2006. Vale muito a pena ouví-lo. A voz do Fadl é muito harmoniosa e me lembra meus passeios pelas ruas do Cairo durante as noites quentes de julho. Ah que saudades!!!

As minhas músicas preferidas são Elle Enta SaefouQalbi AyishLahzat Loa’aKount MfakarAllah Aalam, que é a que dá nome ao álbum. Fiquei tão feliz quando descobri a tradução desta última música. Encontrei neste site  e vou dividir aqui com vocês. É tão bonita!!!

Só Deus sabe

Só Deus sabe, se eu estava sonhando, minha querida
ou se é real
Resta apenas um minuto e então você vai embora e me esquece

Duvidei dos meus olhos, eu não pude acreditar
que este é o fim, o fim da história
você vai me deixar e não voltar nunca mais para mim

É difícil para mim quando seus olhos me fazem chorar enquanto você está a deixá-los
oh eu estou escondendo minhas lágrimas e eu digo que é o seu destino (o destino de meus olhos)
se você quiser vir comigo um dia como eu planejei
então isso seria um sonho e eu acordaria e veria você aqui
sempre em meus pensamentos, eu nunca esqueci as noites mais doces com vocÊ
sem você este é o fim da minha vida
Se você voltasse e contasse quantas lágrimas eu chorei
você saberia realmente o quão preciosa você é para mim
(x2)

Só Deus sabe, se eu estava sonhando, minha querida
ou se é real
Resta apenas um minuto e então você vai embora e me esquece

Duvidei dos meus olhos, eu não pude acreditar
que este é o fim, o fim da história
você vai me deixar e não voltar nunca mais para mim

Só Deus sabe, se eu estava sonhando, minha querida
ou se é real
Resta apenas um minuto e então você vai embora …

Workshop braços: Explorando toda beleza, força, fluidez e precisão, com Elis Pinheiro!

Tive a oportunidade de participar do último workshop de braços da Elis Pinheiro de 2011.  Como todo mundo sabe, a Elis Pinheiro é referência nacional quando o assunto é braços. Para quem já teve a oportunidade de vê-la dançando sabe que, atualmente, não existe outra bailarina no território nacional que explore tão bem a expressividade dos braços na dança.

Eu tenho muita dificuldade em usar os braços na dança. Quando assisto aos meus videos, sempre vejo o mesmo problema: não sei o que fazer com os braços. Ontem, a Elis me fez uma pergunta muito assustadora: “Quanto tempo faz que você estuda dança do ventre? E deste tempo, qual o percentual que você dedicou para o estudo de braços?” Uau! Nunca tinha pensado nisso! É claro que meus braços são muito amadores, nível básico! Eu não dedico tempo suficiente para estudar movimentos de braços!

Outro ponto que me surpreendeu no workshop foi o uso de movimentos partindo do cotovelo. Como é difícil!! Nunca havia estudado isso em aula. Já estudei movimentos guiados por ombros e pulsos, mas nunca pelos cotovelos.  No primeiro momento, achei que seria algo muito estranho. Mas pasme, movimentos com os cotovelos podem ser muito surpreendentes! Sexy! Realmente gostei desta abordagem!

Outra surpresa para mim, é a leitura musical com braços! Você já parou para pensar quando usar movimentos partindo de ombros, cotovelos e pulsos? Já parou para pensar que cada instrumento pede um movimento partindo de uma destas partes do seu braço? Já pensou que você tem que diferenciar os movimentos para passar a idéia de leveza, delicadeza, agilidade, sensualidade? Nossa! Isso parece óbvio depois que você ouve, mas eu nunca tinha parado para pensar sobre isso. Toda a minha leitura musical era feita exclusivamente pelo quadril!

Cheguei a conclusão que 5 horas de workshop com a Elis é muito pouco! Ela deveria dar um curso mais longo com este tema, algo de 3 encontros com periodicidade mensal. Assim teríamos tempo para estudar o que ela nos passou e levar as dúvidas e receber correções na aula seguinte!

Para você que ainda não fez este workshop, vale muito a pena! Acho que foi um dos melhores workshops que eu já fiz em todos estes anos de estudo. Acho que todo mundo deveria ter uma orientação assim alguma vez na vida. Não, não espere que a Elis te diga qual é o braço certo! Espere que ela te mostre novas possibilidades para você entender qual é o seu braço. Qual é o seu estilo de movimentos de braço na dança. Não vejo a hora de sair este workshop em DVD(a Elis disse que é dezembro).

Parabéns Elis pelo trabalho!

Workshop Elis Pinheiro em comemoração aos 10 anos de carreira

Neste final de semana, aconteceram as comemorações dos 10 anos de carreira da bailarina Elis Pinheiro. As festividades foram compostas por um show de Gala, com a presença dos mais importantes nomes ligados à dança do ventre, e um workshop. Infelizmente não pude ir ao show devido ao evento 1001 Noites da escola Karnak Al Falak, mas marquei presença no workshop que foi realizado na escola Top Dance.

O workshop foi dividido em duas partes. A primeira teve como tema Dança do ventre contemporânea e a segunda Tremidos. A primeira parte foi um pouco confusa devido ao grande número de alunas. A sala da escola Top Dance ficou pequena para a dinâmica proposta pela Elis. Infelizmente não consegui praticar muito bem as combinações de braços que ela propôs. Apesar do aperto, as propostas para exploração de espaço no palco foram muito legais. Algo bem moderno e expansivo a la Natacha Atlas. Me apaixonei por uma combinação com redondo grande. Esta vai passar a fazer parte do meu repertório, com certeza.

Já a segunda parte foi muito legal. A Elis nos chamou a atenção para um ponto muito interessante da dança, a velocidade de tremidos. A maioria de nós nunca é solicitada por suas professoras para variar a velocidade de nossos tremidos. Aprendemos este passo no formato liga e desliga. Ou estamos nele ou não estamos. Raramente fazemos uma leitura musical variando velocidades deste passo. Eu realmente nunca tinha parado para pensar nisso e gostei muito da forma como a Elis abordou este tema. Ela é super atenciosa e, mesmo com o grande número de alunas, conseguiu dar uma atenção individual para muitas. Além de ser super simpática e bem humorada.

Mas a segunda parte do workshop também deve sua popularidade a outro fator. A Elis trouxe o músico Tiago para tocar para a gente. Aulas de tremido com música ao vivo quase vira um show rs. É engraçado como a música ao vivo muda o modo como a gente se sente ao dançar. Nos faz sentir como uma bailarina top dançando em um show exclusivo, ainda mais quando o músico é de qualidade. Para quem não lembra, o Tiago é o músico que tocou no workshop da Soraia Zaied.

Além de tocar muito bem, ele passa dicas muito importantes sobre os diferentes ritmos e do que o músico espera da bailarina em cada um deles. Eu adorei a frase que ele disse “Quando a bailarina faz um bom show, o músico aparece”. Realmente este é um relacionamento de parceria! A bailarina e o músico devem estar em harmonia e conectados para realizarem a melhor leitura musical possível.

Quero aproveitar e parabenizar a Elis Pinheiro pelos 10 anos de carreira, desejar muitos anos de sucesso e agradecer por dividir seus conhecimentos neste work!

1001 Noites XI da Escola Karnak Al Falak

A noite deste sábado, dia 18 de junho, foi da 11o. edição das 1001 Noites da Escola de dança Karnak Al Falak. Este ano fui só para prestigiar as amigas que são alunas da escola. Esta festa é muito legal, promove a integração das famílias dos alunos e proporciona uma oportunidade única para crescimento de seus alunos uma vez que são submetidos a dançar em um ambiente a la Casa de Chá Khan El Khalili: salas apertadinhas, com várias mesinhas e pessoas sentadas em almofadas. A proximidade do público também proporciona uma sensação bem diferente daquela que você tem ao subir no palco pois você realmente precisa olhar para as pessoas.

Fiquei super feliz e orgulhosa das apresentações das minhas amigas Paulinha e Agnes. Estão dançando muito bem. É muito legal ver o crescimento delas, a segurança, os passos limpos e elegantes. Paulinha fez estréia na modalidade dança de casal árabe. É bem difícil dançar em dupla e ainda mais em casal. Os dois precisam ter muita sincronia. Mas isso não faltou a eles que fizeram uma apresentação super bonita.

Já a Agnes, sem palavras. Está dançando muito bem! Fez uma apresentação linda com espada que deixou todos boquiabertos. Vamos torcer para ela compartilhar conosco o video de sua apresentação no youtube. Parabéns à moça! Arrasou!

É claro que não poderia faltar a apresentação dos professores Tarik e Tahira. É sempre o momento mais esperado da festa. A apresentação foi super bonitinha, cheia de graça e muito aplaudida. Eu adoro ver os dois dançando, pois, juntos, possuem uma sintonia, harmonia que só os profissionais conseguem demonstrar.

A festa foi ótima, muito bem organizada. Confesso que divirto mais quando estou dançando. Mas também me diverti muito assistindo. Parabéns à escola, aos alunos e às pessoas da organização. A única coisa que faltou foi uma apresentação solo da Tahira. Eu gosto de dança de casal, mas sinto falta de vê-la dançando em solo. Na minha opinião, o solo dá à bailarina uma liberdade maior de demonstrar toda a sua técnica e estilo e faz tempo que ela opta sempre por dançar com o Tarik. Mais uma vez, adoro os dois dançando. Mas se não for pedir demais, também quero ver a Tahira em apresentação solo. :-D

Super Noites no Harém V

O tradicional espetáculo anual da casa de chá Khan el Khalili ocorreu no final de semana passado(15 de maio) no Teatro Santo Agostinho. Para manter a tradição, estava um domingo muito chuvoso e muitas pessoas tiveram dificuldades para chegar ao teatro. O show teve duas sessões. A primeira começou às 16hs e a segunda, a qual eu assisti, iniciou-se pontualmente às 20hs.

Pode parecer que estou repetindo o que disse no Super Noites no Harém IV, mas acho que isso já virou marca registrada. O Super Noites no Harém é  caracterizado pela variedade de estilos. Tem de tudo, dança do ventre, folclórica, misturas com dança de salão, dança indiana, rock e tudo mais o que você puder imaginar.

Este ano pude observar um crescimento das apresentações em grupo e do número de pessoas em cada grupo. Imagino o quanto deve ser difícil estes profissionais se reunirem para ensaiar. Todos com agendas apertadas e morando em cidades diferentes. Porém o resultado é como se todos estes obstáculos não existissem e eles tivessem se dedicado apenas aos ensaios para o Super Noites. Trabalho impecável.

É claro que houve erros, sempre há. Ninguém é perfeito. Alguns erros foram visíveis para o público que estava assistindo. Alguém que gira antes de todo mundo ou que vai para um lado e na verdade era para ir para o outro. Mas acho que isso é irrelevante. Se você pensar no sacrifício e no desgate físico deste profissionais, é totalmente aceitável.

Mais uma vez as apresentações que mais me empolgaram foram as folclóricas. A Najla sempre deixa todos boquiabertos com suas coreografias. Este ano sua parceria com o Tarik em uma apresentação de Hagalla superou as minhas expectativas. As apresentações folclóricas são alegres, descontraídas. Dá vontade de levantar da cadeira e ir para a roda dançar.

O meu destaque deste ano vai para a fusão com dança indiana. Eu adorei a apresentação. O figurino estava bem caracterizado, alegre, harmonioso. Também gostei bastante da música escolhida. As meninas mandaram muito bem e me deixaram com mais vontade de fazer dança indiana.

Outro destaque de grupo é para o Trio Nur, Polímia e Carol. As meninas fizeram uma interpretação muito legal com uma música do Radiohead, Paranoid Android. Eu gosto muito de fusões, mas fusões que preservem a essência da dança do ventre. O trio misturou passos elementares da dança do ventre como oitos egípcios, redondos e tremidos com o rock alternativo do radiohead. Eu gostei muito resultado final.

Quanto aos solos, este ano as solistas foram Suellem, Nevenka, Shirlei Salihah, Nur, Kahina e Soraia.  Não conhecia muito o trabalho da Suellem, mas gostei do que vi. Uma excelente apresentação. Não vou falar da Nevenka e da Shirley pois não conheço muito o trabalho delas e acho injusto fazer uma análise de suas apresentações sem elementos concretos. Mas os videos podem ser encontrados no youtube para que cada um tire suas próprias conclusões.

Quanto a Kahina, falar dela é totalmente desnecessário, uma vez que tudo o que ela faz é aplaudido de pé. A Kahina é um dos maiores nomes da dança do ventre nacional e tem marca registrada por uma fusão quase natural com o ballet clássico. Isso dá uma leveza e feminilidade inconfundíveis na sua dança. A única observação é que acho que já vi a Kahina dançando esta música. Será que estou enganada? Acho que a Ka não repetiria música no Super Noites. Será? Outra coisa que não posso deixar de falar é do figurino. Que roupa lindíssima! Uma das roupas mais bonitas que já a vi usando. Confiram!

Mas os solos que eu mais gostei foram o da Nur e o da Soraia. A Nur é uma bailarina excepcional. É aquela bailarina que consegue ser simples, feminina, delicada, alegre e ao mesmo tempo mostra uma força incrível, uma imensa vontade de dançar. É díficil explicar, mas parece que tudo aquilo que ela faz, é como se ela estivesse brincando, se divertindo. Não tem como não ficar boquiaberta. É uma pena que seja tão difícil conseguir ver a Nur dançando ao vivo.

Para terminar, quero falar do solo da Soraia. Eu acredito que a Soraia veio para o Brasil com uma missão, resgatar a verdadeira dança do ventre que há dentro de cada bailarina brasileira. Não sei se vocês lembram, mas ao final do Super Noites no Harém de 2010 eu estava com uma grande dúvida.  Era esta aqui:

“Eu sai de lá com uma dúvida cruel sobre o destino da dança do ventre. Houve variedade, apresentações lindíssimas, bailarinos excepcionais porém senti falta de dança do ventre mesmo, a verdadeira dança. Teve muito balé, jazz, bellynesian e até tango, mas a dança do ventre legítima estava diluída em algumas apresentações. Será isso mesmo? Será que estamos todos cansados da Bellydance e queremos misturar? Será que as famosas “quebradas” da dança do ventre darão lugar a leveza do balé? Ou aos movimentos do jazz? Será que estamos no caminho certo? Qual a formação que as novas bailarinas da dança oriental deverão ter no futuro?”

Pois bem. Após diversas apresentações explorando elementos de dança de salão, jazz, ballet contemporâneo e clássico, Soraia surge em seu solo dançando a clássica música Inta Omri. E adivinha como Soraia encantou a todos? Usando “basicamente” tremidos, oitos, redondos, camelos e batidas de quadril. Soraia usa movimentos que aprendemos em nossos primeiros anos de aula e não sei porque, achamos que eles são bregas, fora de moda e que para dançar bem é preciso jogar a perna na cabeça ou abrir  espacate.

Soraia veio responder a minha pergunta. É legal saber ballet e jazz? É. É legal saber misturar de forma saudável estes elementos na dança do ventre? É. Mas a verdadeira dança do ventre é isso. É ondulação. É quadril e seu completo domínio. É saber executar cada um desses passos “básicos” com perfeição e criatividade. Obrigada Soraia por resgatar este significado da dança do ventre que estava adormecido dentro de mim.

Mais videos do espetáculo Super Noites no Harém V podem ser encontrados no meu canal do youtube.

Workshop Soraia Zaied – SP 2011

Neste último final de semana, ocorreu o tão esperado workshop de Soraia Zaied em São Paulo. Para quem não conhece a Soraia(o que acho quase impossível), ela é um dos maiores nomes da dança do ventre da atualidade. Brasileira, dança no Egito há 10 anos atraindo olhares de milhares de espectadores todos os anos. Viaja pelo menos uma vez por mês pelo mundo, levando seu conhecimento da dança do ventre e da cultura egípcia para os 5 continentes.

Soraia tem uma marca registrada: os quadris. Na minha opinião, Soraia é a única bailarina que consegue ler a canção com os quadris sem perder uma batida, um floreado. O domínio que ela tem dos quadris é tão incrível, que se eu não conseguisse ouvir a canção, ainda sim conseguiria “ouvir” através dos movimentos e batidas dos quadris de Soraia.

Isso só já é incrível. Mas Soraia não pára por aí. Além de ter um talento divino, Soraia fala árabe fluentemente. Isso significa que ela consegue interpretar cada canção, nos passar através de seus movimentos o que a música diz. Para mim, isso faz toda a diferença. Aliar a técnica com as palavras da canção resulta em uma interpretação perfeita.

O workshop de Soraia Zaied foi ministrado no clube Homs em São Paulo. O evento foi organizado pela casa de chá árabe Khan el Khalili onde Soraia dançou muitos anos antes de ir para o Egito. O tema foi “A mágica dos quadris”. Foram dois dias com 5 horas de aula cada um.

No sábado, o workshop começou às 9 horas. Jorge Sabongi cumpre a tradição que os eventos da casa de chá tem, começar impreterivelmente no horário. Soraia chegou animada e bem humorada como sempre apesar de sua mala ter “desaparecido” na esteira do aeroporto. Imagine a situação. Sem mala, sem roupa de aula, sem sapatilha. Mas ainda bem que Soraia tem muitos amigos e cada um colaborou para que tudo encontrasse uma solução.

A aula foi sobre técnicas de quadril e tremidos. Uma aula muito puxada onde Soraia nos passou um pouquinho de sua técnica tão conhecida e admirada. Não vou descrever aqui o que ela ensinou pois não acho justo. Quem quisesse aprender, tivesse ido ao work. Se você não foi e está arrependida, O Jorge prometeu vender o DVD deste workshop ainda neste mês.

Soraia deu um grande puxão de orelha nas bailarinas brasileiras e me levou à reflexão. Depois de parar para pensar um pouco, acho que ela tem razão. Soraia nos alertou para a “perda dos movimentos de quadril” na dança do ventre brasileira. Segundo Soraia, as bailarinas brasileiras estão valorizando cada vez mais os movimentos do ballet dentro da dança do ventre e esquecendo dos quadris. Realmente não vemos as bailarinas usando oito maia. Fiquei pensando no mercado persa e nas apresentações que eu assisti. Quase ninguém mais usa oito maia, um movimento que para mim é clássico. Soraia ainda nos explicou que o Brasil é o único país que ensina oito maia com os pés presos ao chão. No mundo inteiro, aprendizes e amadoras fazem oito maia na meia ponta alternando calcanhares e nós já dominamos o modo avançado desde a sala de aula. Ela nos questiona: “Se vocês conseguem fazer isso, porque não usar? Usem.”

Outro ponto para o qual Soraia nos chamou a atenção foram os giros. Outra vez, acho que ela tem razão. Quantas bailarinas não assistimos que giram em momentos fortes de um solo de derback? Ela até brincou com a gente dizendo que o derbaquista está lá se matando para tocar e a bailarina, por estar cansada ou não saber o que fazer, começa a girar. Soraia brinca: “É até uma falta de respeito com o moço. Ele está lá se matando e você começa a girar? Que leitura é essa?”

No domingo, o evento não começou no horário. O início às 8 horas da manhã em um domingo frio e chuvoso fez muita gente perder a hora. O tema era leitura de musical. Soraia começou a aula trabalhando uma música lindíssima de Omm Kalthoum. A coreografia que ela nos ensinou é digna da música. Eu adorei. Porém na segunda parte da aula aconteceu um fato que me deixou bem chateada e, porque não dizer, bem nervosa.

Jorge Sabongi simplesmente muda a música que a Soraia iria trabalhar conosco. Ela tinha planejado a aula usando duas músicas do seu show e o Jorge decide mudar na hora e por telefone(ele não estava no clube pois estava ensaiando o elenco das Super Noites no Harém). Ele passou o recado por telefone, ninguém sabia ao certo qual a música que ele queria que ela trabalhasse. Soraia teve que falar com ele ao telefone pelo menos duas vezes para acertar a música.

Soraia usa todo o seu talento para atender o pedido do chefe. Mas, com franqueza, como trabalhar a leitura musical de uma canção que você não conhece? Soraia simplesmente não conseguia nos passar o conceito de leitura que estava trabalhando até então. Ela precisaria ouvir a música com antecedência para nos apontar o detalhes. É impossível fazer isso ao vivo e na hora. Se a música fosse fácil, até poderia ter dado certo. Mas era uma daquelas canções da coleção Fantasy que o Jorge adora aplicar nas bancas examinadoras da Khan el Khalili. É complexa e cheia de detalhes.

Depois de várias tentativas e muito tempo perdido, Soraia resolve desobedecer ao chefe e voltar a trabalhar a música que ela tinha escolhido. É aplaudida fervorosamente por todas as alunas presentes. Não tenho dúvidas que Soraia dançaria lindamente esta música ao vivo e no susto. Mas passar uma coreografia de uma música dessas para 80 alunas de diferentes níveis é impossível.

Eu não gostaria que o pessoal da casa de chá ficassem bravos comigo, mas eu achei muita falta de respeito por parte do Jorge. Tanto com a Soraia quanto com as mais de 80 alunas presentes que pagaram caro para participar das aulas. Perdemos um tempo precioso no qual Soraia poderia nos ensinar algo importante ao invés de ficar falando com o Big Boss e tentando montar uma coreografia na hora. Isso demonstrou muita falta de organização e amadorismo por parte da direção do evento. Os eventos da Khan el Khalili primam pela perfeição e temos altas expectativas. Eu realmente não esperava por isso.

Mas, felizmente isso não estragou o workshop que foi maravilhoso. A Soraia é excelente professora. Faz o gênero brava e exige que todas prestem atenção no que ela está falando. Mas é impossível não gostar dela. Ela tem um carisma natural. Trata a todas como se fossem suas velhas amigas. É engraçada, despojada e muito fofa. Valeu muito a pena fazer este workshop.

E para terminar, gostaria de parabenizar o Thiago El Faruk que acompanhou Soraia na aula tocando derback. O moço manda muito bem. Mesmo sem conhecer as músicas que Soraia iria trabalhar, conseguiu acompanhar perfeitamente. Um excelente profissional.

Agora é ficar de olho nos próximos workshops!

Festa Karnak Al Falak 2011

Neste último final de semana, aconteceu a esperada festa da escola Karnak Al Falak da professora, bailarina e coordenadora Tahira Al Falak. Seguindo o modelo da festa do ano passado, cada turma fez uma apresentação, tivemos o fusion e a festa foi encerrada com a encenação de um conto de fadas. Tivemos apresentação com espadas, pandeiro, sete véus, folclórica e moderna.

Porém tivemos algumas surpresas neste ano. Uma delas foi a abertura da festa pelos professores Tarik, Tahira e Aragonês. Como na festa anterior, a professora Tahira não apresentou nenhum número solo, eu não esperava por uma apresentação dela e muito menos na abertura. Ela entrou ao som de We Marret El Ayam – Dr. Samy Farag. Não podia ter escolhido música melhor. Eu adoro esta canção! O figurino também foi inovador. É difícil ver bailarinas usando uma roupa toda desta cor pois dá um certo medo do resultado final. Mas caiu perfeitamente bem com o tom de pele da Tahira. Mais um ponto positivo. E para quem achava que ver a Tahira dançando logo na abertura já tava ótimo, se surpreendeu  com a presença dos professores Tarik e Aragonês no palco. Misturaram um pouco de dança de salão, dança do ventre e teve até solo de derback no final. Uma grande surpresa para o início e que grudou os olhares da platéia no palco. Quem tem coragem de subir no palco depois disso?

Como todos os anos, a festa tem dois pontos altos: o fusion e o conto de fadas. Vou começar falando do número de BellyDance Fusion que este ano foi escolhido como a apresentação favorita do público que assistiu ao espetáculo. Este ano, a professora Tahira elaborou uma coreografia para a música “A Little Less Conversation” de Elvis Presley. A versão utilizada foi a do álbum Elvis 30 #1 Hits. Eu realmente gostei do resultado deste trabalho. O figurino ficou muito legal, a coreografia conseguiu passar a idéia de algo bellydance “rock” e contar com a participação do professor Tarik é sempre sucesso garantido. Um trabalho inédito, criativo e muito divertido. Parabéns à professora Tahira por este excelente trabalho.

E para encerrar a festa com tradição, este ano foi encenada a história de Aladdin. Nesta versão, Aladdin, interpretado por Tarik, leva a princesa Jasmine, interpretada por Tahira, para conhecer o “mundo” num tapete. O divertido gênio foi muito bem interpretado pelo professor Aragonês. Achei muito interessante a versão do gênio que sabe dança de salão. Cena divertidíssima. Com excelente figurino e trilha sonora, este número encerrou a festa com chave de ouro. Parabéns a toda a equipe que trabalhou para que isso acontecesse,  sendo dentro ou fora do palco.

Eu realmente gosto destes números de conto de fadas. Eu sugiro até, fazer toda a festa girar em torno da história. Cada turma deve contar um pedaço da história, deixando os pontos mais importantes a cargo da interpretação dos professores. Assim, é mais fácil montar cenário, figurino e coreografia pois estão todos voltados ao mesmo tema.

Quem sabe alguém não ouve a minha sugestão e gosta da idéia? Aliás, apesar de gostar da temática disney, sugiro fazer algo shakesperiano ou interpretar alguma história das mitologias grega ou romana ou  até do egito antigo. Digo isso porque o público é adulto e nem todo mundo gosta da temática disney. Seria legal interpretar a história de Cleópatra e Marco Antonio em um musical “árabe”! O BDE(Bellydance Evolution) quase realizou este meu sonho rs Mas quem sabe alguém não adota esta idéia? Agora, inovador mesmo seria ter um Romeu e Julieta ao som de músicas árabes.

Parabéns à toda equipe Karnak pela realização do evento, parabéns aos alunos e principalmente aos professores!

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